Chupeta faz mal para os dentes? Efeitos e quando tirar
A chupeta pode alterar a mordida, sobretudo com uso prolongado. Reduzir o tempo de uso e planejar a retirada ajuda a cuidar dos dentes desde cedo.

Sim, o uso prolongado da chupeta pode mudar a posição dos dentes e o encaixe da mordida. A preocupação aumenta quando o hábito persiste durante o crescimento.
Para a família que já usa chupeta, vale reduzir os momentos de uso e organizar a retirada com acolhimento. Começar por um período acordado, oferecendo atenção ou uma atividade de que a criança goste, é uma maneira prática de dar esse primeiro passo.
Como a chupeta pode afetar os dentes e a mordida
As alterações mais relacionadas ao hábito são a mordida aberta anterior e a mordida cruzada posterior:
- Na mordida aberta anterior, os dentes da frente de cima e de baixo deixam um espaço entre si quando a criança fecha a mordida.
- Na mordida cruzada posterior, parte dos dentes de cima fica por dentro dos dentes de baixo, na região lateral da boca, em vez de se encaixar por fora.
Uma revisão de estudos publicada em 2025 reforça a relação entre uso prolongado e diário de chupeta e mordida aberta. Isso ajuda a orientar a prevenção, mas o exame odontológico é que mostra como a mordida de cada criança está se desenvolvendo.
O que pesa no risco
Observe o hábito como um todo: há quanto tempo a criança usa chupeta, em quais momentos do dia ela fica na boca e como acontece a sucção. A duração do hábito é um dos fatores mais importantes. Não há um número de horas por dia que possa ser apresentado como seguro para os dentes.
Se a criança passa boa parte do tempo acordada com a chupeta, esses períodos são um ponto prático para começar a mudança. A meta é diminuir a dependência ao longo da rotina, em vez de apenas trocar o formato do bico.
Os dentes voltam ao normal depois da retirada?
Algumas mordidas abertas podem melhorar após o fim do hábito, principalmente quando a retirada acontece cedo. Isso não garante que toda mudança se corrija sozinha: mordida cruzada, posição dos dentes e crescimento da face precisam ser avaliados em conjunto.
O odontopediatra acompanha a evolução e decide se basta observar ou se há necessidade de tratamento. Não espere a troca dos dentes de leite para investigar uma mudança na mordida. Retirar a chupeta é um passo importante, e o acompanhamento mostra o que acontece depois.
Quando tirar a chupeta
O Ministério da Saúde orienta evitar o uso de chupetas na prevenção de problemas bucais. Quando o hábito já existe, vale conversar cedo com o odontopediatra sobre a retirada.
- Por volta de 18 meses: a Academia Americana de Odontopediatria aponta essa fase como um momento para limitar ou interromper o uso e reduzir o risco de mordida cruzada posterior. É uma referência para começar a agir, sem precisar esperar aparecer uma alteração.
- Até os 3 anos: o objetivo é ter encerrado o hábito, conforme a orientação do CFO e da academia americana.
- Depois dos 3 anos: se o uso continua, marque uma consulta para avaliar a mordida e combinar um plano de retirada.
Essas idades orientam o planejamento. Uma alteração percebida antes dos 3 anos também deve ser avaliada. O acompanhamento odontológico começa na primeira infância, e não apenas quando surge um problema.
Como começar a reduzir o uso
Escolha mudanças que os adultos consigam manter de forma consistente. Para uma criança que já entende combinados simples, uma opção é:
- Escolha um período acordado sem chupeta, como a hora de brincar ou olhar um livro.
- Explique com palavras simples o combinado e mantenha-o entre os adultos que cuidam da criança.
- Ofereça colo, conversa ou uma atividade de que ela goste quando pedir a chupeta naquele momento.
- Reconheça o esforço: “Você conseguiu brincar sem a chupeta”. O elogio pode acompanhar metas pequenas e adequadas à idade.
- Amplie os períodos sem uso e combine o próximo passo com o odontopediatra, sobretudo se a chupeta ainda for necessária em muitos momentos.

O CFO inclui a restrição de momentos de uso e o reforço positivo entre as estratégias possíveis. A Academia Americana de Pediatria também orienta elogios, lembretes gentis e atividades para distrair, evitando críticas e punição. Se a abordagem deixar a criança assustada ou muito tensa, interrompa e ajuste o plano.
Não corte nem fure a chupeta para forçar a retirada. Ela deve permanecer íntegra enquanto estiver em uso. Também não a mergulhe em mel ou açúcar. Se estiver difícil avançar, peça ajuda em vez de transformar a retirada em uma disputa.
Quando procurar o odontopediatra
Procure avaliação se notar dentes mudando de posição, espaço entre os dentes da frente ao fechar a mordida ou dificuldade para mastigar. O uso depois dos 3 anos e a dificuldade para abandonar o hábito também justificam orientação individual.

Para aproveitar a consulta, conte em quais momentos a criança pede a chupeta, se usa durante o sono, o que vocês já tentaram e quais mudanças perceberam. Isso ajuda o profissional a propor passos que a família consegue manter.
Se a preocupação for com a fala, converse com o pediatra e com um fonoaudiólogo quando indicado. Não espere apenas a retirada da chupeta resolver uma dificuldade persistente.
Perguntas frequentes
Referências:
- Conselho Federal de Odontologia: chupeta, dedo e retirada acolhedora
- Ministério da Saúde: saúde bucal na primeira infância
- Academia Americana de Odontopediatria: política sobre chupetas
- Revisão sistemática de 2025: hábitos de sucção e mordida aberta
- Academia Americana de Pediatria: chupeta, sucção do dedo e retirada




