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Saúde e bem-estar

Chupeta faz mal para os dentes? Efeitos e quando tirar

O uso prolongado da chupeta pode afetar a mordida, mas isso não acontece com toda criança. Entenda quando reduzir e quando buscar avaliação.

21 julho 2026
Uma mulher conversa com uma criança sentada ao seu lado em um sofá, enquanto segura uma chupeta.

A chupeta pode estar associada a mudanças na mordida, principalmente quando o hábito se prolonga. Isso não significa que o uso vá causar um problema em toda criança nem permite concluir, sem avaliação, que uma alteração foi causada por ela.

O tempo de uso é o fator mais consistente nessa relação. Como orientação internacional de redução de risco, a Academia Americana de Odontopediatria recomenda limitar ou começar a retirar a chupeta por volta dos 18 meses, quando isso for possível. Já o Conselho Federal de Odontologia e a orientação internacional convergem no objetivo de encerrar o hábito até os 3 anos. Nenhuma dessas idades funciona como uma fronteira entre uso “seguro” e “prejudicial”.

Na prática, vale começar a reduzir de um jeito que funcione para a criança e para a família, sem culpa nem punição. Se o uso continuar depois dos 3 anos ou se você notar mudança na posição dos dentes ou na mordida, um odontopediatra pode avaliar o caso e orientar os próximos passos.

O tempo de uso importa
A chupeta pode afetar a mordida quando o uso se prolonga, mas isso não acontece com todas as crianças. Vale começar a reduzir quando isso for possível e procurar um odontopediatra se o hábito continuar depois dos 3 anos ou se você notar mudança nos dentes ou na mordida.

Como a chupeta pode afetar os dentes e a mordida

Estudos observacionais e revisões sistemáticas encontraram associação entre o hábito de usar chupeta e algumas alterações na mordida. Essa associação aparece com mais clareza quando o uso persiste por mais tempo, mas não prova que a chupeta tenha causado uma mudança em uma criança específica. O exame individual é o que permite entender a situação de cada criança.

Os dois exemplos mais sustentados pela evidência são:

Mordida aberta anterior: os dentes da frente de cima e de baixo não se encontram como esperado ao fechar a boca.

Mordida cruzada posterior: a relação entre os dentes de cima e de baixo fica invertida em uma parte lateral da boca.

Essas descrições ajudam a entender os termos usados por profissionais, mas não servem para fechar um diagnóstico em casa ou por foto. As revisões sistemáticas sobre chupeta e alterações na mordida também destacam limitações importantes nos estudos, por isso a linguagem correta é de associação e possibilidade, não de dano inevitável.

Por que o tempo de uso importa

Quanto mais o hábito persiste durante o desenvolvimento, maior é a preocupação com possíveis efeitos na mordida. Frequência e força de sucção também podem fazer parte do padrão, mas não existe uma fórmula confiável de horas por dia, intensidade ou idade que calcule o risco de uma criança.

Algumas alterações de mordida aberta anterior associadas à chupeta podem melhorar depois que o hábito termina, especialmente quando a retirada acontece mais cedo. Isso não garante correção completa, não permite prever quanto tempo levaria e não vale para todo tipo de alteração.

Quando reduzir e quando tirar a chupeta

As orientações funcionam melhor como etapas de redução de risco, e não como um aniversário em que o risco começa de repente.

Por volta dos 18 meses: começar a reduzir quando for possível

A Academia Americana de Odontopediatria aponta o período próximo da erupção dos caninos, em torno de 18 meses, como um momento para limitar ou começar a retirar a chupeta com o objetivo de reduzir o risco de mordida cruzada posterior. É uma orientação odontopediátrica internacional e aproximada, não uma regra brasileira nem uma garantia de que todo uso anterior seja inofensivo.

Até os 3 anos: encerrar o hábito

O Conselho Federal de Odontologia e a Academia Americana de Odontopediatria orientam encerrar hábitos de sucção não nutritiva até os 3 anos, ou 36 meses. Se a chupeta continuar depois dessa idade, isso não prova que houve dano permanente e não é uma emergência. É um motivo concreto para conversar com um odontopediatra e definir um plano individual.

Começar antes costuma dar mais espaço para uma transição gradual. Ainda assim, idade, duração e padrão de uso precisam ser considerados juntos, sem transformar os 18 meses ou os 3 anos em uma linha de “pode” e “não pode”.

Como reduzir o uso sem culpa nem punição

Não existe uma única técnica que funcione para todas as crianças. Uma opção é começar limitando a chupeta a alguns momentos ou lugares e, depois, ampliar aos poucos os períodos sem ela. A mudança pode ser feita em passos pequenos e previsíveis, de acordo com o que a família consegue manter com calma.

Uma mulher guarda uma chupeta em uma gaveta enquanto uma criança pequena olha as figuras de um livro.
Limitar aos poucos os momentos ou lugares em que a chupeta é usada é uma opção; o plano pode ser adaptado à criança e à família.

Para adaptar o plano, alguns princípios podem ajudar:

escolha uma mudança por vez, em vez de exigir que tudo mude no mesmo dia

explique de forma simples o que vai acontecer e mantenha uma rotina consistente

reconheça os avanços sem tratar os dias mais difíceis como um fracasso

ofereça acolhimento e outras formas de conforto adequadas ao momento da criança

ajuste o ritmo quando a etapa estiver difícil demais para ser mantida

Evite cortar ou furar a chupeta, colocar substâncias doces, punir, segurar à força ou envergonhar a criança. A retirada de uma vez também não precisa ser adotada como regra. Se a família estiver com dificuldade para avançar, um odontopediatra ou pediatra pode ajudar a definir uma abordagem gradual, positiva e individualizada, sem prometer resultado imediato.

Quando procurar um odontopediatra ou pediatra

Marque uma avaliação com um odontopediatra se o uso continuar depois dos 3 anos ou se você notar mudança na posição dos dentes ou na forma como a mordida se encaixa. Perceber uma diferença não permite definir qual é a alteração, sua causa, gravidade ou permanência, e uma foto não substitui o exame.

Uma mulher e uma criança pequena conversam com uma odontopediatra em um consultório acolhedor.
Se o uso continuar depois dos 3 anos ou houver uma mudança visível nos dentes ou na mordida, vale procurar um odontopediatra para uma avaliação individual.

Outras situações podem indicar a necessidade de orientação individual, sem significar que a chupeta seja a causa:

Dificuldade para tirar a chupeta: um odontopediatra ou pediatra pode ajudar a ajustar um plano positivo e sem punição.

Dificuldade para mastigar: converse com um odontopediatra ou pediatra para avaliar o caso individualmente.

Preocupação persistente com a fala: converse com o pediatra da criança e, quando indicado, com um fonoaudiólogo. As evidências atuais sobre chupeta e desenvolvimento dos sons da fala são limitadas e inconclusivas.

Estas informações são gerais e não substituem a avaliação da criança por um profissional.

Perguntas frequentes

Referências:

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